Não me Retraí (didn't hold back)

Meu amor, as memórias de ti mantêm-se em mim com uma vivacidade e nitidez espantosa, tal qual postal encantado. Revisito-as quase todos os dias. A mente tem destas coisas, prega-nos partidas, até foi uma partida gostosa a forma como a minha mente guardou, embelezou e emoldurou tudo. Cheiros, gestos, palavras, olhares tudo guardadinho até há mais ínfima sombra. Nunca possuí memória tal, imaculada, tão bem preservada, como que mergulhada em formol. Intocável, é uma memória intocável, se a construísse não seria tão bela assim, nada alteraria se pudesse, que belo quadro, que obra! Gosto de saber que não me refreei, vivi contigo tudo aquilo que quis, sem nada questionar, sem o sofrimento de quem não está convicto, de quem tem dúvidas sobre o que realmente quer. Só na infância vivia deste modo, que bom que volto a ser quem era, quem sou, que bom que abocanho tudo sem pudor, sem me retrair em nada, que bom que consigo existir em tudo o que faço de novo. Passeio, revisito todos os pormenores, sei que todos são importantes, fulcrais, decisivos para a a nossa história, para o nosso ato, da nossa pequena peça. Pequena mas intensa, imortal, grandiosa, suplanta qualquer peça grande e vazia, desprovida deste furor todo que conseguimos implantar entre nós. Não posso salientar uma coisa, um sorriso, uma frase, não quero desmembrar nada desta recordação, porque ela é perfeita assim completa, com princípio, meio e fim, encerra-se em si mesma, gerou-se e consumiu-se a si mesma, TU sabes que assim não o quis, quis sempre uma história maior, interminável, sim, tens razão nem sempre o quis, no início nem queria nada, nem sentia quase nada, mas compensa pelo que agora sinto. Esta é a melhor vitória para ti e para mim: a nossa recordação idílica de como tudo se desenrolou, o nosso postal perfeito, paradisíaco, em que até os raios de sol são captados de forma etérea, nada do que ocorreu foi terreno, tudo se passou fora daqui, num lugar extra Terra, celestial, o nosso filme foi rodado ai não duvides, e está acessível para visionamento sempre online nas nossas mentes saudosas, porém orgulhosas de ter contracenado em papel principal o herói e a mocinha!
Pois é meu amor Amo-te... ainda...









Escrito por Acordem a 28 de Julho de 2011









Este blog está protegido por lei contra o roubo de propriedade intelectual. Não plagie seja original.