Não Tratar com Prioridade Alguém que nos Trata Como Uma Mera Opção

Antes só descobria tarde demais se estava a receber tratamento equivalente ao que dava a alguém ou não. Acabava, por isso, por ser vezes sucessivas, enganada, acabava por desperdiçar energia em situações sem futuro algum. Agora já sei identificar e interpretar os sinais gritantes, espalhados por todo o lado, do real interesse de alguém. Sei que estou a ser um papo seco com manteiga no palato de alguém que sonha com uma bela e dourada tosta mista, quando oiço ou leio afirmações sobre mim, sejam elas positivas e lisonjeantes ou negativas. Quando, em mais de 40% do discurso, o nosso interlocutor usa a belíssima arte da lisonja, é sinal que não quer saber realmente de nós, está na verdade farto de nós, quer queimar etapas, como quem diz: "toma lá esta chucha e dá-me logo aquilo que eu realmente quero de ti". Outra variante, do mesmo cenário, é no caso do discurso ser 40% de críticas, ou de comentários negativos à cerca de nós, e da nossa conduta de vida, sejam eles simples, ou mais complexos, vulgo, "ouvirmos das boas", lições de moral. Nos casos mais simples a pessoa fala abusivamente na segunda pessoa do singular, tu isto, tu aquilo, constata factos (subjetivos), profere afirmações sobre nós. Quando há genuíno e prioritário interesse da pessoa por nós, existe também genuíno e insaciável interesse pelo o que dizemos, e então os sinais são flagrantes, pergunta atrás de pergunta, o querer perceber muito bem cada uma delas, de uma pergunta nascem mais dez encadeadas, usa-se o tom interrogativo na segunda pessoa do singular, raramente o afirmativo. O ato de se "dizer das boas " a alguém é dos atos mais agressivos e cobardes que já testemunhei, e sofri na pele. Cobarde porque aparece com roupagem de preocupação, a pessoa aparentemente diz-nos tais coisas para o nosso bem, dá-nos certos e determinados, a que chama, conselhos, porque gosta muito de nós, e nos quer alertar, avisar para certas "falhas" nossas, então disserta  à maluca pela nossa conduta e filosofia de vida fora, tal trator que desbrava mato, sem olhar a subtilezas, vale aí a força do a nu e a cru, direto e a direito, sem ligar a estragos. "Ouvirmos das boas" é de facto das coisas mais revoltantes que existe, ficamos de início sem reação, pois não parece um ataque, estamos indefesos, apenas no fim, já tarde demais, se tornam claras as motivações da pessoa que "nos diz das boas". Como reagir então? A prevenção melhor é cortar o mal pela raiz, avisá-lo logo de início que a conversa cessa assim que ele, o interlocutor, proferir algum comentário, afirmação, sobre nós, seja ele bom ou mau. Caso não seja possível, como descascar o pepino, como descalçar esta bota? Ficar sempre com a última palavra, "retorquir-lhe das boas", e fechar a conversa, ser a última pessoa que "diz das boas"  naquela relação, ou seja, não levar desaforo para casa, só assim se minimiza o dano e se sai vencedor, sai-se por cima.
Outro sinal de que a pessoa não quer nada de jeito connosco é a facilidade e rapidez com que se despede de nós, pode testar-se isso logo de início com facilidade, criando certas dificuldades à primeira abordagem, quem desistir logo é sinal que antes de chegar já tinha vontade de despedir-se, ou seja a vontade real de falar e interagir connosco era quase inexistente.
A memória também nos dá pistas valiosas sobre a real intenção e empenho do nosso interlocutor, temos, como se sabe, memória seletiva, tendemos a recordar mais facilmente as coisas que nos "emocionam", que nos fazem sentir, lembramos pior um acontecimento ou conversa morna, desinteressante, na qual não tínhamos interesse nenhum. Perante esquecimentos totais ou parciais, e sem estarmos em presença de alzheimer, é sempre muito mau sinal, e razão suficiente para nos pormos a andar daquela relação para fora.
A conversa mal estruturada, que roça facilmente o infantil, de humor fácil, a conversa exuberante, cheia de erros ortográficos, sinal mais que evidente que está a ser feita em cima do joelho, descuidadamente, só se cuida do que se gosta, daquilo que realmente se quer, não fazer nunca vista grossa nestes casos, julgando erradamente inaptidão para a conversa ou mesmo para o raciocínio do interlocutor.
Erro crasso: nunca confrontar o interlocutor com estes sinais e evidências, pois não temos como as provar, só o tempo mostra preto no branco e a céu aberto, para todos verem, quem é quem, e quem quer realmente o quê. Se querem perder tempo, aguardem serenamente e verão que estas pistas e sinais são infalíveis, 100% premonitórios, talvez da próxima vez se valham deles para atalhar caminho, e poupar a autoestima, que se ouvir muitas vezes "das boas" vai-se, inevitável e desnecessariamente, a baixo.











Escrito por Acordem a 11 de Junho de 2011.









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