Cabrices

Podem dividir-se os humanos em duas categorias: Putas e Cabras. As Putas são aqueles/as que fodem todos e deixam se foder, as Cabras acham que fodem todos mas não conseguem foder ninguém, porém todos as fodem facilmente. O termo Puta e Cabra embora de terminologia feminina usarei aqui para me referir aos humanos todos, homens e mulheres, classificando-lhes as respetivas personalidades (modus operandi), visto não ter encontrado termo mais adequado... O termo "Foder" pode o leitor, se preferir um termo mais light, substituir por vencer, ganhar, lixar, tramar, etc. A maioria dos humanos são Cabras. Como são as Cabras na prática? Uma Cabra nunca joga limpo, nunca diz exatamente o que está a pensar, mente a todo o instante, espera ganhar com isso vantagem contra seu adversário (todos são adversários para uma Cabra). Por exemplo uma Cabra pode aceitar um acordo qualquer, mas em pleno acordo ela começa a pedalar ao contrário, a desdizer tudo o que ficou acordado, estabelecido, numa verborreia sem fim de desculpas esfarrapadas típicas de mau pagador, porque no fundo só aceitou tal acordo para poder estar próximo do oponente e para o apanhar com as guardas em baixo e lhe dizer das boas, ganhando assim tempo e a oportunidade perfeita para tentar convencê-lo a fazer apenas acordos que lhe convêm só a ela, à Cabra. Não tem qualquer pudor em mentir, acha sempre que todos o fins justificam os meios, desde que sejam os "seus fins" e os "seus meios", ou seja faz vista grossa quando se tratam de mentiras próprias, chama lhe até outros nomes, como por exemplo omissões, já quando são os outros a mentir aí a história muda e já julga com mão pesada, como um ato hediondo. Quando a confrontamos com seus atos ela para além de nunca os admitir ainda choraminga de forma patética colocando-se na cena como vítima principal, ou seja dando a volta ao texto. Quando isso não resulta, enxuga as lágrimas de crocodilo e parte para o ataque, desferindo duros golpes à queima roupa no adversário, vale tudo desde que ele se silencie e perca a vontade de repetir a "gracinha" ou seja de a confrontar de novo. Pode atirar com aquele velho defeito de infância que sabe perturbar bastante desde sempre o oponente, pode mudar de posição em relação a uma confidência feita e anteriormente compreendida mas agora tão oportunamente criticada, pode dizer: "ah! fulano ou fulana é que tinham razão quando diziam isto ou aquilo (algo depreciativo) de ti!"  De repente torna-se a nossa pior inimiga, e tudo porque nos atrevemos a confrontar a Cabra com suas ações, sem sequer fazer grandes acusações ou juízos de valor, apenas a confrontamos com seus próprios atos tal e qual, mas isso foi o suficiente para o que se viu... Outra especialidade das Cabras é terem sempre debaixo da língua preparado o discurso final de relação, para não perderem uma boa oportunidade (das melhores a seu ver) de dizer das boas a alguém. O discurso compõe-se por uma série de conselhos paternalistas do tipo "eu sempre te avisei e agora reforço". Frisam e sublinham bem (no seu refinado e dúbio entender) as nossas qualidades e talentos, dizendo devias te aplicar mais nisso, não desperdices, nem te dissipes para outras áreas, tipo "tens tanto valor, vê-la se lhe dás uso". Não o fazem para o bem, como se deve calcular, do oponente, daquele que parte, daquele que bate a porta, daquele que sai e diz basta, fazem-no para que seja o cereja no topo do bolo, mais uma ofensa verbal a somar a todas durante a relação, como quem bem diz, tanto te avisei, mas és um caso perdido. Ou então aquele discurso fatalista: "Pois estavas mortinha por te livrar de mim não era? Vá não inventes desculpas, podes ser sincera!" ou "Não me venhas com ameaças! Estás sempre com chantagens que te vais embora!" ou "Tu é que sabes, eu não sei mais o que te diga!" ou " Tenho muita pena que tudo tenha terminado assim!" ou "Mas acima de tudo desejo-te as maiores Felicidades do mundo!" ou "Um dia vais te arrepender, ainda vais até ter saudades minhas!" etc etc etc... Tudo dito num tom seco e frio de como quem nada perde.
As Putas, jogam limpo, cartas na mesa, sem recurso a subterfúgios, bode expiatórios e outros que tais. Uma Puta diz ao que vem, diz ao que está disposta, diz o que quer receber, o que quer dar, negoceia de forma objetiva, fria, desdramatizada, coerente, não regateia, não tenta por chantagem emocional ou por longos duelos pseudointeligentes dar a volta ao oponente convencendo por todos os meios de que ela é que está certa. Uma Puta tem tomates, conquista, arregaça as mangas, parte para a luta, não cruza os braços e fica à espera, não chora pelo leite derramado, não é passiva, não espera benesses, nem favores, nem facilitismos, luta pelo o que quer, não desiste, usa apenas armas "legais", não joga sujo, jogo sempre limpo à vista de todos é assim que gosta das suas batalhas: Duras, Justas e Limpas. Uma Puta nunca chama assuntos e defeitos do outro para a conversa que não tenham muito a ver com o caso, só com intuito de abater (atordoar) o adversário e ganhar a discussão. Uma Puta nunca abraça batalhas perdidas, como "bater no ceguinho", dizer muitas vezes a mesma coisa a alguém que escolhe não ouvir, como tentar mudar o outro, tarefa como se sabe impossível, só o próprio se pode mudar, ou seja uma Puta não massacra, não dá murros sucessivos em pontas de facas. Uma Puta não precisa dessas jogadas sujas, cobardes, por debaixo do pano. Uma Puta assume quando perde e quando ganha. Assume tudo. Uma Puta fode e é fodida, aceita tão bem uma coisa como outra, sacode, sem dramas, a água do capote e segue ainda mais segura e firme, como quem não deve nada a ninguém, sabe bem as regras do jogo: quem anda à chuva molha-se. Uma Puta não se sentiria bem em ter falsas vitórias, uma Puta gosta de ganhar por mérito próprio, esforça-se por isso. Nunca recorre à chantagenzinha emocional das Cabras, nunca faz sequer falsetes de voz, normalmente muito agudas e histéricas a imitar o estado de pânico iminente para que o adversário tenha pena delas e recue. Uma Puta é inteira, é um ser humano inteiro, gosta de ser vista assim, por isso mostra-se toda, sabe que o todo vale sempre mais que as partes, e muito mais que as partes sempre escondidas. A Puta tem palavra, sempre honra seus acordos. Acima de tudo uma Puta não se vende, nunca deixa de ser quem é em nome de nada!
Uma Cabra é rata, sempre a ouvir atrás das portas, sempre a recolher dados escusos sobre seus possíveis futuros oponentes, o lema da cabra é: " Há que estar preparado". Mas infelizmente as Cabras nunca estão nem estarão preparadas. O humano mais forte será sempre o inteiro, inteiriço em si, aquele que se leva a si todo constantemente a jogo, e não às partes fragmentadas sempre escondendo várias das partes porque o seu jogo é mesmo esse: ocultação de partes, jogo de sombras, conforme lhe convém melhor na altura, conforme a Cabra entende ser uma boa estratégia de ataque ou não, por vezes a melhor estratégia será fingir-se de morta, tonta, parva, pensa ela, outras vezes de vítima, outras ainda de atacante que revolve em menos de 5 minutos todos os podres e fraquezas do opositor, sem sequer ter nada a ver com a batalha (assunto, discussão) em questão, o chamado atirar para todos os lados, para tudo o que mexe. As Cabras nunca veem por isso os seus objetivos logrados, terminam sempre as batalhas sem obterem o que queriam, nunca têm nas suas vidas as coisas e pessoas que realmente desejam, acabam sempre fodidas, sem nunca conseguirem foder de facto ninguém. O que desejam na vida nunca obtêm, como jogam a meio gás, como nunca vão a jogo inteiras, também as suas vitórias assim são: às partes. No fundo, durante todo aquele fogo artifício e peixeirada que montam e durante todo o tempo que demoram a arquitetar tais charadas ridículas, todos lhes ganham terreno, todos as fodem nesse meio termo, nesses momentos de distração pura em que desempenham as suas personagens patéticas e não a sua personagem real, tudo isso as dispersa e as retira do caminho da vitória que facilmente podiam atingir. As Putas diretas e objetivas, inteiras, levam-se todinhas para jogo basta escolherem o adversário e batalha certa e zás mais uma vitória no bucho, mais uma foda bem dada, mais uma cabra papada, galinhas tontas essas cabras não?


 REPITO: o termo CABRA é apenas um rótulo para classificar um tipo de carácter específico, tanto me refiro a homens como mulheres, existem tantas Cabras do sexo feminino como Cabras do sexo masculino, sem conotação nenhuma homossexual, existem Cabras heterossexuais masculinas, o mundo está cheinho delas. Em relação à terminologia PUTA fiz o mesmo, apenas é um nome rotular para explicar um conjunto de ações e modus vivendi de um conjunto de humanos homens e mulheres independentemente de sua inclinação e hábitos sexuais, ou seja sem cariz sexual (quase nenhum, afinal somos seres sexuais, existe em tudo um pouco de sexo, não concordam?).











Escrito por Acordem a 1 de Maio, 2011.









Dedicado à única pessoa (deste mundo) que me ensinou (gratuitamente) algo de jeito, que pode de facto ser usado no real para meu proveito, dedicado a Luís A. que foi quem me ensinou estas designações, suas significâncias reais e a malandragem em geral, muito obrigada.





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