Os nossos fantasmas vão se formando pouco a pouco ao longo da infância e adolescência, quando chegamos a adultos já estão todos formados e prontinhos para nos atormentar o resto da vida. São os fantasmas que nos limitam as ações e nos impedem de ser quem realmente somos, são aquela vozinha que nos põe para baixo quando precisamos de alento, são aquele frio na espinha que sentimos quando precisávamos era de segurança e confiança em nós próprios, enfim são todas as nossas limitações. Para os silenciar auto-medicamo-nos, recorremos aos chamados vícios, eles silenciam eficazmente qualquer fantasma desde os mais acesos aos mais tímidos. Quando vimos ao mundo desconhecemos por completo quem somos, vamos aos poucos tentando entender, ouvimos com muita atenção tudo o que os outros dizem que somos, assimilamos e por fim acreditamos piamente. Na idade adulta procuramos a todo o custo esquecer tudo o que ouvimos a nosso respeito, tentamos acreditar que somos outro e não aquele que nos contaram que éramos, mas isso é impossível, tudo em nós está assombrado, tudo em nós já acredita definitivamente e até ao fim. Os vícios, as bengalas, comer emocionalmente, ver demasiada t.v., procurar o isolamento demasiadas vezes, álcool, drogas, tabaco, fazer maldades aos outros, descarregar nos outros, etc, só podem ser dispensados quando já não estivermos em sofrimento, quando ao ouvirmos os fantasmas já não os temermos, já não nos perturbarmos.
Quando finalmente sabemos quem somos*, descobrirmos o nosso valor, e por consequência os nossos gostos, só nessa altura os fantasmas que a todos atormentam deixam de ter que ser silenciados a qualquer custo, simplesmente porque não doem, já não dói ouvi-los e crê-los, passam a ser velhos amigos, parte da casa, parte de quem somos, sim viverão em nós para sempre, é impossível expulsar velhos inquilinos!
* O autoconhecimento atinge-se ao fim de décadas de esforço nesse sentido, ou, mesmo apesar desse esforço, pode nunca ocorrer. A maioria das pessoas vive vidas inteiras sem nunca desconfiar sequer de quem realmente é!
Escrito por Acordem a 11 de Janeiro, 2011.
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